sexta-feira, 11 de março de 2011

Japan project na imprensa

Diversas vezes o J.P. apareceu na imprensa bageense, pré ou pós-evento. Criaremos aqui no blog uma série só com matérias que saíram na imprensa local.
  Para iniciarmos postaremos a melhor matéria escrita sobre o Japan Project, publicada no Blog do Marcelo Fialho, jornalista que provavelmente tenha sido um dos primeiros - senão o primeiro - a utilizar a ferramenta "blog" para noticiar acontecimentos e comentar sobre a vida cultural de Bagé.

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Japan Project IV
24 e 25 de outubro de 2009
Colégio São Pedro
Bagé, Rio Grande do Sul, Brasil


O final de semana em Bagé foi marcado pela quarta edição anual do megaevento Japan Project, voltado à disseminação da cultura nipônica, especialmente em formatos como filmes, artes visuais, música, vestuário e jogos. Criado em Bagé e realizado sempre em escolas locais, o JP 2009 foi o primeiro a instalar-se no Colégio municipal São Pedro, no Bairro Getúlio Vargas.
O evento tem site oficial, onde se pode conhecer seus conceitos básicos. A página é caracterizada pelo primoroso acabamento gráfico e qualidade das imagens, uma vez que os idealizadores do evento atuam na área de informática e multimídia.
Portanto, nossa matéria, com fotos de resolução inferior, não é relato oficial do evento. É uma visão adicional, do ponto de vista leigo de quem está conhecendo o JP, e reflexiva, sobre sua significação para Bagé.
Destacaremos com posts específicos ao desenho artístico e aos shows de rock, dois temas top deste blog, mediante entrevistas e resenhas com artistas presentes.


A CHEGADA AO PORTAL MÁGICO
O JP4 aconteceu nos dias 24 e 25. Nas primeiras horas do sábado, o público limitava-se a pouco mais do que os organizadores, o que começou a mudar com o fim da intensa chuva, à tarde; e foi completamente superado no domingo, em parte pela chegada de excursão de Pelotas.
A aproximação ao recinto já sugeria imersão em um universo virtual, paralelo, onde o limite entre realidade e imaginação se torna menos claro. Imagine, logo após entrar, cruzar no corredor com figuras como essas da foto.

Zasalamiel
Vai encarar ?

Exemplos típicos da arte do costume rolerplay, como é chamada a caracterização de um personagem pelo uso de fantasia, muitas vezes fabricada pelo próprio praticante. Por trás da aparência desconcertante, porém, terráqueos comuns. Conseguimos revelar sua identidade secreta, oculta pelo codinome com que cada participante se apresenta: Zasalamiel, na realidade foi batizado como Renato Lyra, 30 anos, lavador de carros. Já Zegram é o nick de Jorge Roberto, 23 anos, auxiliar de serviços gerais. Os irmãos vieram de Porto Alegre. Renato iniciou o gosto pelos nipo-heróis assistindo Changeman na TV, e iniciou o irmão caçula na prática. Há quatro anos desenvolvem seu cosplay. “É divertido, uma coisa diferente”, é a justificativa de Jorge para o esforço em estar no evento.
Figurino exótico era lugar-comum no JP4. Da mesma forma, cenas incomuns à rotina diária: cavalheirescas lutas de espada (sem fio), ninfetas com semblante de fadinha do bem… os freqüentadores de encontros do gênero incorporaram o comportamento visto nos mesmos e o reproduzem com naturalidade aqui. Outras demonstrações: papos de fã tipo discutir qual heróii tem mais poder entre dois, ou “Qual a fraqueza do Batman, já que ele não tem superpoderes?”

MAPA DO TESOURO

A planta do JP4 pode ser resumida assim:
I. Segundo piso
Salas de aula foram adaptadas para as demais atividades, todas simultâneas.
Nesta ordem, tinha-se
Três salas de exibição, onde eram projetados por datashow, no telão, filmes legendados, com áudio no idioma japonês, com as temáticas:
Animex (a de maior público médio): animações.
Nipo Heroes: filmes seriados como Jaspion, Ultramen
Banzai (menor comparecimento de público) filmes longos de heróis mais humanos. O mais conhecido e robótico era o antológico National Kid.
- Sala de Magic Gathering, torneio do card game
- Oficina de desenho, com dois artistas
(ver página específica sobre desenhistas no JP4)

- RPG: role playing game

Troll
Edimar Realant Oliveira (Troll), esteve mestrando nesse ambiente, inclusive a suas duas irmãs, que trouxe para auxiliá-lo. Em Bagé estima que haja de 100 a 150 jogadores, pois há rotatividade – quem lhe ensinou hoje está em Santa Maria. O RPG já figurou em notícias de crimes, como assassinatos associados ao resultado do jogo, onde quem perdeu deveria morrer. Na opinião de Troll, esses casos ocorrem apenas quando acompanhados de outros fatores, como o consumo de crack, o que já teve registros em Porto Alegre.

- Guitar Hero e outros vídeo games

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O jogo da moda também atraiu um dos maiores públicos, puxado pela presença infantil, e por roqueiros que também tocam instrumentos reais.
Flagramos a galera de Pelotas “tocando” “Mr. Crowley”, do Ozzy, na espera da cotação “You Rock !” do game.
II.Térreo/Auditório: uma dezena de estandes de vendas de produtos variados: mangás, fanzines autorais, publicações-raridade de sebo, e acessórios típicos tais como tocas e tiaras com orelhas de gatinho e similares…
Eventuais shows no palco.

ezio
O blogueiro e poeta Ézio Sauco atendeu estande de um sebo local

Na tarde do último dia, as demais atividades foram encerradas e o pico de público concentrou-se no auditório para o concurso de Cosplay, que teve três colocados entre oito concorrentes avaliados por cinco jurados. O bageense Dione levou a medalha de primeiro lugar, com seu disfarce de “Garo”, produzido por ele mesmo em papel machê.

garo
Criatura: Garo guardando os portões do JP4...
dione

BREVE HISTÓRIA E OBJETIVO

Aldo Mesquita, 34 anos, microempresário do ramo da informática, relata detalhes da origem do JP e da equipe organizadora, atualmente 22 pessoas (nenhuma de descendência nipônica) coordenadas por Aldo, Leonardo Fontes e Dione. Com o acesso a Internet, há alguns anos, Aldo reavivou o interesse que surgiu quando acompanhava seriados japoneses na extinta Rede Manchete, e conseguiu contatar parceiros para a formação de um grupo, que hoje realiza pelo menos dois encontros internos mensais, além de atividades públicas permanentes, como mini-exibições em locais como a Casa de Cultura, atraindo de 30 a 40 pessoas em média. Essa é a continuidade da proposta após os dois dias anuais do encontro JP. Mesquita é também o responsável pelo site oficial, que abusa nas cores ao gosto da cultura homenageada, o que está bem refletido no mascote Lanthalder.
aldo e leonardo
Aldo Mesquita e Leonardo Fontes na entrada dos estandes


Segundo ele, “a proposta do Japan Project é oferecer um evento diferenciado para Bagé, onde só se tinha opções gauchescas, como mateadas, e festas com bebida”. Sem fins lucrativos, o JP não cobra dos expositores o estande, nem oferece cachês aos músicos. É cobrado ingresso desde a segunda edição, pois na primeira, em que não houve e ainda se arrecadaram alimentos para filantropia, os custos saíram dos bolsos dos organizadores. A programação é inspirada em similars como Super Anime World, em Porto Alegre, ligado à Yamato; e Anime Friends, em São Paulo.
Aldo explica o que há de diferente nos heróis japoneses, a ponto de despertar tamanho fascínio: “As lições de moral que dão. São heróis humanos, como o Kamen Rider, como, em que a força vem de sua identidade secreta”. O empresário acredita que essas produções contribuem mais para a formação da criança, que os demais, onde mesmo os personagens clássicos de “bichinhos”, vivem cenas de agressão gratuita. “O respeito ao próximo e o sacrifício, muitas vezes por desconhecidos, são os valores mais transmitidos pelos nipo-heróis”, acrescenta.
O termo “nerd” é freqüentemente associado a fãs extremos de heróis televisivos, por exemplo. Aldo, porém, não se constrange com o modo como a palavra é empregada no Brasil: “No Japão, sim, é pior: chamam de ´Otaku´, mais pejorativo, que significa algo como ‘super nerd´, e a pessoa é realmente excluída. No Brasil tem um sentido mais de ‘fã´mesmo, pois hoje representa uma moda pop”. Mesquita também discorda dos que consideram “coisa de criança” o gosto pela cultura anime seja: “é uma questão de estilo”.
Curiosamente, a comunidade nipônica local comparece timidamente ao JP. Aldo percebeu pouco interesse quando convidou floricultores locais para exposição de bonsai. Em 2007, a exibição de itens como armaduras emprestados pelo Escritório Consular do Japão de Porto Alegre, também não atraiu os japoneses em Bagé. “Para eles isso tudo é comum, é como para nós, visitar uma mostra gaúcha”, opina Aldo.

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Regina e Guilherme

Uma das poucas exceções na edição de 2009 foi o casal Guilherme e Regina Sawada, encontrados circulando pelo JP. Guilherme informa que não há mais, como em outras épocas, uma sociedade japonesa formal em Bagé, devido à dispersão de seus integrantes. Mas arrisca um diagnóstico para a abstenção nipônica: “faltou divulgação em rádio e TV, mas não interesse, pois brasileiro gosta de coisas diferentes”.

EMOTIVOS

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Marilia Silveira


A presença no evento de cultivadores do visual emo, em alguns casos beirando a androginia, poderia sugerir uma aproximação entre aquela cultura e a dos cosplayers. Para Marilia Silveira, da equipe do JP, não existe essa relação, exceto “em algumas coisas no visual”. A aparência foi também a única motivação da forma com que a jovem se caracterizou para o acontecimento: “Só achei bonito”, explica, rejeitando enfaticamente o rótulo de emo.
BALANÇO
Uma rápida análise do Japan Project leva às seguintes considerações: foi um hapenning caracterizado pela riqueza cultural, seja pela diversidade de formatos de mídia envolvidos, ou pelas peculiaridades estética e comportamental. A atualidade do JP era evidenciada pela reprodução, em proporção, das características dos principais encontros da área ao redor do mundo. O evento incrementou o turismo local ao atrair visitantes de outros municípios.
Sob o rótulo de uma cultura exógena – a nipônica, havia muitos conteúdos capazes de interessar aos não-simpatizantes de valores japoneses – a exemplo da sala de jogos, oficinas de desenhos, shows e estandes.
Da mesma forma, o espaço escolhido e as diversas atividades simultâneas suportavam acolher muito mais visitantes do que receberam. Ou seja: berço de muitos murmúrios contra a falta de opções de lazer, Bagé (entendida como o conjunto de 110 mil habitantes) perdeu mais uma chance.


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Japan Project 2009: desenhistas, HQs e zines


CAPÍTULO II – DESENHISTAS NO JP4.

Estavam expondo no JP três desenhistas: Dione e Jonatas na oficina de desenho, e Camila em estande comercial.
Os dois oficineiros iniciaram juntos, em um curso oferecido na Biblioteca Pública de Bagé, por Érdio Jean e Pardal, há cerca de cinco anos. Na sala exclusiva do JP, havia painéis e cartazes seus pelas paredes. Dione instalou seu computador pessoal para animações.
Camila se disse colocada entre os expositores para facilitar a comercialização de sua produção.
Os três artistas cobravam para produzir caricaturas de visitante, em média de R$ 5,00 (P&B) a 7,00.

1. CRIATIVIDADE PREMIADA

Dione
Dione “Falco” (nome de um de seus personagens), 21 anos, viria a ser uma das consagrações ao final do JP, como primeiro lugar em Cosplay.

Autodidata, não vive de sua arte, trabalhando também como servente.
Entre suas influências, artistas como Akira Toriama e Stan Lee, e localmente, Cláudio Falcão. Prefere os personagens sem superpoderes como Batman e Capitão América, e no manga, Goku e Fly (ambos de Dragon Ball Z). Mas, acima de tudo, suas próprias criações, como Estúdio Galáxia: o Homem Elétrico, cujas aventuras se passam em Bagé; e Falco, que teve seu fanzine Número 1 lançado em outubro de 2008. Dione saiu atrás de patrocínio e imprimiu 40 cópias em xerox colorido, vendidas a R$ 3,50 cada. No flog do artista já se vê trechos da terceira edição de Falco, ainda em construção.
http://flog.clickgratis.com.br/dione
O artista trabalha com nanquim e pincel, finaliza com caneta ou pincel atômico. Também faz cartazes com têmpera. E armaduras em papel machê, como a de seu cosplay.
Revela que a parceria com Aldo Mesquita (que produz sites mas não desenha) lhe introduziu no mundo digital, incrementando seu trabalho com os programas Photoshop, Fireworks e mais recentemente Flash, para animação como uma do Homem Elétrico, que apresentou no JP, “inclusive para o prefeito de Bagé”, orgulha-se Dione.

oficina
Durante sua oficina Dione foi visitado por alunos e colegas, compartilhando dicas técnicas como o uso de caneta 0,4 mm (da Compactor, por exemplo) em lugar da Bic comum preta. (Lembrando: estamos em um universo não-profissional, freqüentado por designers de poucos recursos, mas muita criatividade e vontade)

2. ENTRE A ARTE ACADÊMICA E A DAS RUAS

Jonatas Vaz, 26 anos, é acadêmico do quinto semestre de Educação Artística, habilitação Artes Plásticas, na URCAMP. Também integra o grupo “Bagé – La Plata”, que expõe na Semana da Educação 2009.
Dionatan
Jonatas e seu mini Kamen Rider frente ao painel de pinturas

Entende que o ensino da faculdade é voltado “mais para ser professor”, equlibrando com a prática urbana, pois vive de seu trabalho como free lancer: pintura de letras e grafite, em locais como casas noturnas, em parceria com Léo Rodrigues Filho. Batizou seu estúdio como JMV Produções Artísticas.

http://jmvart.blogspot.com/
Para ele HQ é apenas influência, não lançou algumas páginas que produziu, e prefere o formato de portfólio, cartaz grande e capa, que produz com têmpera e tinta de tecido. Também faz escultura de massa epoxi, de miniaturas de heróis.
Jonatas se considera renascentista, admirador de Da Vinci e Michelangelo: “Na época deles, não havia a técnica que se tem hoje, e tinham que inventar; o que tornava muito mais difícil”.
No desenho contemporâneo, cita Bruce Timm, Mike Deodato, Frank Miller, Mozart Couto, Akima Toriama.
Não trabalha com softwares gráficos, utilizando o computador apenas para pesquisa na internet.

caricatura
Caricatura: Pablo Moreira Prestes (Seyharo), comerciário, coleciona retratos seus pelos eventos em que esteve. Apreciou o novo, feito na oficina: “Valorizo mais o estilo do traço, porque semelhança total mesmo só em fotos”.

3. CAMILA, UMA RAPOSA VITORIANA

Talento exportado Bagé-Pel
Arsênia

Camila Rosa, 21 anos, é uma bageense radicada em Pelotas que mantém a produção de fanzines iniciada aqui: While in Dark, de 2000; e Cameo, sua menina dos olhos, da qual está lançando no JP o primeiro volume de uma trilogia.

Caracterizada como sua personagem Arsene, a desenhista define-se como “uma dândi mais européia que nipônica”, devido à aristocrática influência, em sua obra, do estilo vitoriano, posterior ao gótico, e que data da Revolução Industrial, tendo referenciais em filmes como O Grande Truque, O Ilusionista e Entrevista Com O Vampiro.
Sob o pseudônimo de Seven Fox (Raposa Sete), que também batizou seu estande, Camila se considera também uma artista “tradicional”, mostrando resíduos de nanquim nas unhas, no sentido de que faz pouco uso de softwares como os vetoriais do Corel Draw.
Sua técnica favorita é baseada em lápis de cor, uma vez que não suporta sequer o cheiro da tinta a óleo.
A autodidata revela que iniciou com a revista “Aprenda a Desenhar Mangá” de Denise Akimi, e recorreu ao “mestre” Carlo Andrei Rossal para aprender sombreamento. Seu autor favorito é o brasileiro Ulisses Péres
Em Pelotas, onde este tipo de arte ainda é “underground” em sua visão, integrou-se ao grupo que se reúne semanalmente no IAD (Instituto de Artes e Design) e publica o blogue http://guildadedesenhistas.blogspot.com/. Se ela está “entre mangaká e realismo”, os colegas optam por mangaká ou cartun. Free lancer, a artista divulga seus trabalhos pela Internet. Atualmente, articula um projeto para uma revista infantil em Portugal. Um de seus maiores orgulhos, porém, é ter entregue a seu “muso” Nico Nicolaievsky (Tangos e Tragédias) um retrato do ator, desenhado por ela, que ele teria fixado em cima de seu piano, na parede.

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Japan Project 2009: Rock !

CAPÍTULO III – ROCK AND ROLL NO JP4.

Durante o desenvolvimento do JP, o palco foi tomado por quatro shows musicais e alguns improvisos.
O caráter cultural do evento concedeu aos artistas parceiros a liberalidade de um repertório sem concessões. As duas primeiras convidadas só mostraram músicas próprias. A variedade de estilos também foi grande, variando entre neogrunge, punk, experimental e acústico.
Houve expositor protestando contra a interferência do ruído dos roqueiros, no atendimento dos estandes, localizados na outra extremidade do mesmo auditório.

BRUNO CARAVACA E FELIPE ROSA
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O show mais característico do evento, e aproximado ao J-Rock (japanese rock), pelo repertório exclusivo de trilhas de anime e seriados. A apresentação encerrou em grande estilo o evento, porém, devido ao anúncio, pouco antes, dos resultados do concurso de cosplay, teve a audiência reduzida pela dispersão de parte do maior público reunido em todo o evento. Bruno, atração no JP 2008 com banda completa, agora fez-se acompanhar pelo escudeiro armado de uma bela guitarra acústica. A dupla adicionou caráter artístico aos temas, ao demonstrá-los com arranjos delicados, e interpretação intimista. O esmero em montar um set temático, teve repercussão certeira nos aficcionados, que cantaram junto as canções japonesas, e principalmente, a versão em português do tema de abertura de Dragonball Z.

THE VERMES & “THE JAM”


PIC00012edCom a retirada do The Vermes, foram formadas bandas incidentais. Primeiro, o cantor da Lactário Ruivo se uniu a amigos para uma “Born To Be Wild” macarrônica, sendo substituído pelo guitarrista para uma do Beck, e em seguida, da “Paranoid”, a introdução foi o máximo que a banda conseguiu. A seguir, mais gente invade o palco para uma canção. E, finalmente, visitantes de Pelotas que têm sua banda e estavam direto no Guitar Hero, apresentam algumas músicas, entre as quais uma versão em português de “Pet Sematary”.

TWIN CITIES

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No dia anterior, outro presente da programação: Twin Cities, uma banda em franca ascensão, construindo uma postura profissional em todas as áreas, a saber:
Estúdio: de malas prontas para o Complexo Master/POA (show em 11 de novembro), grava o primeiro álbum, após ter disponibilizado na net o EP de estréia “Five Days Off”, de seis faixas.
Composição: afasta sotaques, equilibrando extratos da Seattle dos 90 com outras influências, vide melancolia da Manchester pós-punk presente em “Stranger Eyes”, uma das canções recriada recentemente, em relação às demos originais
Auto-marketing: reformulou estrategicamente o leiaute de seus perfis nas vitrines virtuais – blogue próprio, myspace, twitter, lastfm, etc.
Palco: repertório autoral vasto o bastante para show de mais de hora sem apelar a covers. O guitarrista Giuliano, recentemente adicionado, já está submetido a um intensivo dos ensaios freqüentes para entrosamento.
Com essa conduta batalhadora, a TC saltou da fase garagem inicial para a etapa do primeiro álbum, a espera do reconhecimento. Por isso, pode-se ter presenciado um show histórico, flagrando o grupo momentos antes da projeção que tende a ganhar com o lançamento do disco, se mantiver seu ritmo de trabalho.

LACTÁRIO RUIVO

mauricio
A primeira banda a se apresentar não economizou na criatividade. No momento de seu show, o áudio do microfone estava péssimo; mais tarde corrigido pela sonorização profissional. Trata-se de um trio de média etária bastante jovem. O gosto pelo experimentalismo de um Pink Floyd das antigas ficou bem claro nas composições, executadas emendadas como se formassem uma grande suíte. Vocalizações soturnas davam lugar sem aviso a trechos suingados ou cadenciados em blues. A ausência de teclas na formação de rock básico (baixo-guitarra-bateria) foi preenchida por efeitos noisy na guitarra. Enquanto o baterista destroçava as caixas, o baixista parecia viajar na psicodelia, tocando distante dos colegas, na beirada do palco.
  
PIC00010ed Um show do punk rock autêntico, não o do Green Day. Os caras se emocionam com os clichês da estética como o logo de “anarquia”, camisetas cuidadosamente mal-impressas… Em alguns momentos, o segundo guitarrista assumia o lead vocal, a exemplo do que a Plebe Rude faz. Claro que os pontos altos foram covers como a inevitável “Blitzkrieg Bop”, “Polícia”, e principalmente “Papai Noel Filho da Puta” (Garotos Podres), lembrando que a censura acabou, sem necessidade de apelar à versão que substitui o “elogioso” adjetivo por
”velho batuta”. O hardcore chegou a incitar uma pogação tímida entre o público. Se o visual pálido e psicodélico de algumas pessoas no evento, já tinha me enviado ao fim dos anos 70 ao remeter à Siouxsie Sioux dos Banshees ingleses, agora essa banda me fez visitar o próprio CBGB americano… E a atitude da banda incluiu tocar sem baixo (estando o titular do instrumento lesionado, na platéia) e com duas guitarras, “formação” que seria seguido numa jam que houve a seguir.

 Marcelo Fialho.

Um comentário:

  1. "Uma pequena ressalva apenas na declaração do senhor Guilherme Sawada, onde ele relata que em sua opinião, sobre o evento não despertar a atenção dos bageenses de decendência nipônica seria “faltou divulgação em rádio e TV, mas não interesse, pois brasileiro gosta de coisas diferentes”, é importante frisar que as pessoas em questão as quais eu considero que não demonstraram interesse, foram contatadas pessoalmente nos três primeiros anos do evento, e participado apenas de um, ou seja, não seria necessário uma mídia de TV ou rádio para que as pessoas em questão participassem do evento, importante deixar isso claro.

    Porém, sem dúvida alguma reconhecemos, que as demais pessoas com essa decendência em nossa cidade e arredores, muito provavelmente ainda desconhecem nosso evento, visto nossa divulgação ser sem dúvida ainda, muito precária e deficiente, resultado direto de nossa não intenção de fins lucrativos o que não nos retorno capital suficiente para uma mídia de rádio ou de TV principalmente!

    Importante deixar registrado também, que essa é uma das nossas principais metas a serem corrigidas, mas que infelizmente precisam unicamente de capital financeiro, o que não é a meta principal do Japan Project e sim, a diversão e oportunidade para aqueles que amam e homenageiam essa cultura sem igual!

    De qualquer maneira, a declaração do senhor Guilherme, nos serve claramente como uma “luz no fim do túnel”, de forma a nos corrigir em nosso curso com o evento e enxergar os erros que ainda precisam ser corrigidos, por isso, agradeço as palavras do senhor Guilherme, nos mostrando falhas e correçõs a serem feitas, pois são dessas correções que nosso evento pode se tornar um dia, um grande evento e uma grande fonte de diversão para nossa cidade e os fãs do estilo!"

    aldomesquita@gmail.com.br
    (Comentário originalmente publicado no blog do Marcelo Fialho)>

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